05/01/2026 - Traficante que não retornou da saidinha de Natal no Rio tentou fugir 2 vezes nos últimos 5 anos
Um dos 259 presos que não retornaram para o presídio após a saidinha de Natal é Marco Aurélio Martinez, conhecido como Bolado e apontado pela polícia como integrante do Comando Vermelho.
Nos últimos 5 anos, ele já tinha tentado fugir duas vezes: em 2021, ele seria resgatado do presídio de helicóptero, mas o plano falhou. Três anos depois, ele tentou escapar e foi flagrado construindo um túnel na penitenciária.
Ainda assim, ele recebeu o benefício da Visita Periódica ao Lar neste Natal. Um outro fugitivo, identificado como Tiago Vinicius Vieira, o Dourado, já tinha fugido de um presídio no Mato Grosso em 2018.
Uma lei que já está em vigor no Rio desde outubro poderia ter evitado as fugas. A nova regra determina que presos ligados a alguma facção criminosa não têm direito ao benefício. É o caso de 212 dos 259 fugitivos, sendo 150 somente do Comando Vermelho, incluindo quatro considerados de altíssima periculosidade.
A Justiça entende que uma lei nova não pode valer para casos antigos. Por isso, apenas quem for preso depois que a lei estadual entrou em vigor perderá o benefício à saidinha.
A nova norma aprovada na Alerj recebeu críticas por especialistas em Direitos Humanos, que apontam que muitos presos se declaram ligados a alguma facção por medo.
A visita periódica ao lar é concedida pela Vara de Execuções Penais. Em nota, a VEP informou que a saída temporária é concedida de forma padronizada aos presos do regime semiaberto que têm autorizada a visitação à família, com base na lei de execução penal.
A Secretaria de Administração Penitenciária diz que informou à VEP sobre a periculosidade de quatro presos. Em resposta a esses casos específicos, a VEP informou que analisa o tempo de cumprimento de pena e o comportamento do preso.
Se há histórico de fuga, segundo a Vara, refletirá em novo marco para novo pedido de visita periódica ao lar.
Recentemente, em 2024, o Congresso Nacional aprovou o fim das saidinhas em datas comemorativas para casos de crime hediondo, com violência ou grave ameaça.
O Supremo Tribunal Federal vai decidir se a lei pode valer para crimes anteriores à promulgação, em julgamento que ainda será marcado,
No Rio, as fugas são mais frequentes que no restante do país.
O índice de não retorno depois da saidinha de Natal dos últimos anos tem ficado entre 14 e 16%. Em 2022, foram 20% e 522 detentos não voltaram ao sistema em 2021, o que representava 42% dos contemplados com o benefício.
Presídios do RJ estão superlotados
Reprodução/TV Globo
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